Criado em 02 Maio 2019

Jéssica Pires presta depoimento à Polícia Civil na manhã desta terça-feira (30). Pai da garota está preso por ocultação de cadáver.

Mãe de Eduarda Shigematsu presta depoimento à Polícia Civil em Rolândia — Foto: Eduardo Lhamas/RPC

A mãe da menina de 11 anos Eduarda Shigematsu, encontrada morta em Rolândia, no norte do Paraná, Jéssica Pires, falou pela primeira vez após o crime em depoimento à Polícia Civil na manhã desta terça-feira (30).

O corpo da menina foi encontrado na tarde de domingo (28), nos fundos de uma casa de aluguel da família, depois de uma denúncia anônima. A menina desapareceu na quarta-feira (24). O pai dela, Ricardo Seidi, foi preso por ocultação de cadáver e confessou à polícia ter enterrado o corpo da garota. Ele contou ter se desesperado após encontrar a menina enforcada.

Muito emocionada, a mãe de Eduarda disse que ficou sabendo do desaparecimento da filha por uma mensagem enviada pela avó paterna da criança. Jéssica afirmou que não imaginava que o ex-marido pudesse fazer algum mal à filha deles.

 

“Ela [Eduarda] falava que ele era bravo, que ele esperava ela chegar da escola no portão de casa, mas eu achava que era preocupação de pai. Eduarda dizia que ele era frio com ela, não dava carinho, mas eu não achava isso estranho, porque ele era frio no casamento também”, disse a mãe.

 

 

Mãe conversou com ex-marido suspeito

 

Jéssica também contou que chegou a conversar com o ex-marido quando as provas coletadas durante a investigação o apontaram como principal suspeito do crime. “Cheguei a falar que, pela lógica, ele era o suspeito, mas ele disse que se sentia culpado por não ter dado a atenção que a Eduarda precisava”, relatou.

Além de ouvir a mãe e a avó da criança, o delegado Bruno Rocha deve coletar depoimentos de outros familiares da menina e de vizinhos da casa onde Eduarda morava e do local onde o corpo foi encontrado. Ricardo Seidi também devem ser ouvido novamente, agora como suspeito de homicídio qualificado.

"A materialidade e a suspeição a gente já tem, o laudo do IML apontou quem foi o executor. Agora estamos trabalhando para descobrir a motivação desse crime", pontuou o delegado.

 
Mãe de menina desaparecida confirmou por uma rede social que corpo encontrado era da filha — Foto: Reprodução/FacebookMãe de menina desaparecida confirmou por uma rede social que corpo encontrado era da filha — Foto: Reprodução/Facebook

Mãe de menina desaparecida confirmou por uma rede social que corpo encontrado era da filha — Foto: Reprodução/Facebook

 

Entenda o caso

 

Eduarda desapareceu depois de voltar da escola na última quarta-feira (24). Segundo o Boletim de Ocorrência do desaparecimento, a menina voltou para a casa onde morava, deixou uma mochila no sofá e depois não foi mais vista. Uma câmera de segurança registrou Eduarda chegando em casa naquele dia.

Uma outra imagem, cedida pela Polícia Civil, mostra o pai de Eduarda chegando em um carro preto no imóvel onde o corpo da garota foi encontrado cerca de uma hora depois. Para a polícia, a menina estava morta no porta-malas do veículo.

Ricardo Seidi confessou que ocultou o corpo da menina porque ficou desesperado ao ver a menina enforcada no quarto. Ele está preso.

Com o resultado do laudo do IML, que apontou que a menina foi morta por esganadura, a Polícia Civil pediu a prisão temporária dele, por 30 dias, por homicídio qualificado. O pedido ainda não foi apreciado pela Justiça.

Ricardo Seidi ainda não apresentou advogado de defesa.

 
Eduarda Shigematsu, de 11 anos, foi encontrada morta em Rolândia no domingo (28) — Foto: Polícia Civil/DivulgaçãoEduarda Shigematsu, de 11 anos, foi encontrada morta em Rolândia no domingo (28) — Foto: Polícia Civil/Divulgação